MOMENTO DE EXALTAÇÃO DIVINA

Mão amiga fez-me chegar o manual, que transcrevo – sem comentários, para que não digam que este blogue é anti-religioso.

CARTILHA CONTRA A LIBERTINAGEM SEXUAL

Retirada do livro “Castigo Divino” Igreja Universal do Reino de Deus
(Edir Macedo).

Veja os comentários sobre o pecado das seguintes posições sexuais:

Posição de quatro – É uma das posições mais humilhantes para a mulher, pois
ela fica prostrada como um animal enquanto seu parceiro ajoelhado a penetra.
Animais são seres que não possuem espírito, então o homem que faz o
cachorrinho com sua parceira, fica com sua alma amaldiçoada e fétida.

Sexo Oral – O prazer de levar um órgão sexual a boca é condenado pelas leis
divinas. A boca foi feita para falar e ingerir alimentos e a língua para
apreciar os sabores. A mulher engolindo o sêmen não
vai ter filhos. E o homem somente sentirá dores musculares na língua ao
sugar a vagina de sua parceira.

Sexo Anal (Sodomia) – O ânus é sujo, fétido e possui em suas paredes milhões
de bactérias. É o esgoto propriamente dito. No esgoto só existe ratos,
baratas e mendigos. A pessoa que sodomisa ou é sodomisada ela se iguala a um
rato pestilento. Seu espírito permanece imundo e amaldiçoado. Mas o pior é
quando o ato é homossexual, pois o passaporte dessa infeliz criatura já está
carimbado nos confins do inferno.

Vejam a maneira certa de se relacionar sexualmente com sua parceira, segundo
a cartilha:

Posição Recomendada – O homem e a mulher devem lavar suas partes com 1 litro
de água corrente misturado com uma colher de vinagre e outra de sal grosso.
Após isso, a mulher deve abrir as pernas e esperar o membro enrijecido do
seu parceiro para iniciar a penetração. O homem após penetrar a
mulher, não deve encostar seu peito nos seios dela, deve manter uma
distância pois a fêmea deve estar rezando aos santos para que seu óvulo
esteja sadio ao encontrar o espermatozóide. Depois
do ato sexual, os dois devem rezar, pedindo perdão pelo prazer proibido do
orgasmo.

Como penitência, o açoite com vara de bambu é aceito como forma de
purificação.

Conclusão: ou nos veremos todos no inferno, ou vai faltar bambu no mundo.

BENTO XVI REZA

Escandalosamente roubado ao Carlos Esperança, na esperança de alcançar (ainda) mais leitores, aqui vai um texto implacável.

Papa reza para que 2007 seja um ano de paz. O Papa reza, a vaca muge, o corvo crocita, a rola geme e o papagaio palra. Cada animal tem a voz que o identifica.

Todos os anos o Papa reza debalde pela paz, este Papa, os precedentes e os que vierem. Se faltassem provas de que Deus não existe ou, no mínimo, é insensível à dor, bastariam os apelos lancinantes do Papa para provar a indiferença divina e a irrelevância papal.

Não há orações que salvem da fome as crianças que morrem de inanição, preceitos canónicos que encravem as armas, missas que demovam a humanidade da orgia de sangue que grassa nos países mais pobres e devotos.

Enquanto no Vaticano o Papa pede ao Deus dele que haja paz, através da televisão para que os fiéis o vejam, o ditador vitalício não se dá conta de que os homens, cansados de Deus, acabarão por virar-se para si próprios.

Os homens, de mãos postas, não trabalham a terra, de joelhos não constroem fábricas e a rezar não resolvem problemas, enganam-se a si próprios. Os que disparam as armas e dizem que «Deus é grande» construiriam fábricas, se o clero que fanatiza as crianças e instila o ódio estivesse interessado em melhorar o mundo e a prescindir do poder.

Se o Papa, em vez de rezar, trabalhasse, deixasse de dizer que é o representante de Deus como nos manicómios os doentes dizem ser Napoleão, não teríamos um exército de parasitas e ociosos a divertirem-se com a missa, o terço, o lausperene, a procissão, o Te Deum, o Ano Santo, a indulgência plena e a novena de acção de graças, teríamos gente para trabalhar em prol da paz e da prosperidade.

O clero está para a paz e o progresso como as religiões para a democracia e a liberdade.

PERGUNTAR NÃO OFENDE…

Há perguntas cujas respostas gostaria de conhecer…

(ainda) A PRISÃO DO SARGENTO

Transcrevo, com a vénia devida a mim próprio, um comentário meu, plasmado num “post” acerca deste assunto:

Por muito que nos custe aceitar:
1) – O sargento NÃO É pai adoptivo da criança;
2) – o pai biológico, confirmada que foi a paternidade, tem todo o direito a exigir a posse da criança;
3) – o tribunal, em 2003 ou 2004, determinou que a criança fosse entregue ao pai biológico; o sargento não só desobedeceu a uma ordem legal e legítima, como ocultou a criança em lugar incerto;
4) – por esta última razão, e só por isso, foi condenado;
5) – o povo não pode condicionar os tribunais, sob pena da cairmos na justiça popular;
6) – compreendo os sentimentos do sargento, mas há uma lei para cumprir; se está mal, há mecanismos para corrigir os erros.
7) – qualquer aprendiz de Direito sabe que o “habeas corpus” não se aplica neste caso; e que nenhum tribunal se deixará influenciar por petições folclóricas. Se a lei foi mal aplicada, existem os recursos.

A ROTINA

Resolvi, hoje, escrever sobre a rotina. Isto, para alterar o dia-a-dia cheio do tédio de não escrever nada. Para quebrar a rotina, portanto.

 

Mas, antes que você, leitor, comece a ficar confuso, vou explicar-lhe o que é a rotina. A rotina mais não é que o quotidiano preenchido com os mesmos hábitos, os mesmos gestos, os mesmos pensamentos, as mesmas expressões ou palavras. É o levantar-se todos os dias à mesma hora, tomar o banho diário começando sempre por 4images.jpglavar a cabeça com o champô do costume, passar à lavagem do tronco ensaboando primeiro o peito depois as costas e daí descer às partes mais sensíveis, ou seja, os pés cheios de calos pelo uso rotineiro dos mesmos sapatos. Depois, é o fazer da barba sempre com os gestos de todos os dias, deixando o queixo para o fim, lavar os dentes sempre com a mesma escova, primeiro movendo-a na vertical, começando pelos dentes superiores, depois em gestos horizontais, começando pelo lado esquerdo e passando ao lado direito. Rotina é o vestir habitualmente a camisa por dentro das calças, a gravata sob a dobra do colarinho, o casaco por fora da camisa, calçar os sapatos sempre um em cada pé, invariavelmente por fora das peúgas. É o apanhar habitualmente o autocarro das 08,27h, repetir o gesto rotineiro de exibir o título de transporte. No emprego,3images.jpg é o intro­duzir o cartão — sempre o mesmo cartão—no relógio de ponto, que faz o rotineiro «catra-ploc»… Enfim, acho que já perceberam.

 

Então a rotina é má? Nem por sombras!

 

A rotina tem toda uma série de vantagens que só os espíritos menos lúcidos e mais obstruídos — não é o caso do autor — se atreverão a pôr em causa? Repare-se que a repetição quotidiana dos mesmos gestos e dos mesmos pensamentos evita-nos o desgaste intelectual de procurar novas atitudes, o que vai permitir desenvolver activamente a preguiça mental. Por outro lado, o corpo habitua-se, treina-se, torna-se exímio nesses gestos. Os gestos tornam-se infalíveis, precisos. Não se corre o risco de dar um beijo na secretária do chefe, por distracção, em vez de apertar a mão ao dito.

 

E a rotina aplicada à escrita? Ah! a rotina aplicada à escrita!…

 

Maravilha das maravilhas, a rotina aplicada à escrita traz-nos o produto final da moderna tecnologia de ponta, que é a frase estereotipada, ou estereótipo. O estereótipo literário permite-nos escrever correcta e claramente, sem o recurso a termos rebuscados tais como «logótipo», «hemiplégico», «caraças», «cloargirite», «redudante», isto só a título de mero exemplo, já para não falar de termos com pendor menos tecnocrático mas de sabor mais literário como «alvorada», «principalmente», «adultério», «florilégio», «a boazona do 2.° Esquerdo», etc.

 



2images.jpgQuantos de vós, principalmente os que trabalham em sectores ligados à justiça, se deixaram de deliciar com expressões estereotipadas que fazem parte do quotidiano, tais como «Tenho a honra de informar V. Ex.’», «a prisão foi legal porque efectuada em flagrante delito», «a arma que me está superiormente distribuída», «deferido», «com os melhores cumprimentos» etc.? Já viram com que facilidade se pode construir um texto de belo sabor burocrático a partir de felizes expressões de que as referidas são, apenas, arquétipos? Quem será incapaz de elaborar um relatório sem lhe enfiar, por exemplo, a frase «apesar de inúmeras diligências…»? Reparem que com esta frase, elástica e flexível, praticamente metade do relatório já está feito. E nem precisam de quantificar ou especificar as diligências. Não há que dar satisfações a ninguém; foram inúmeras e foram diligências! O resto pertence à área do segredo profissional, que não pode ser invadida.
Uma outra frase, que me esqueci propositadamente de referir, merece destaque especial. Por isso a deixei para o fim. É uma frase de pendor mais científico, com cambiantes de fino recorte literário e que, por isso mesmo, foi como que eleita rainha de todos os burocratas. Porque é uma frase que resolve praticamente todos os problemas. Porque é uma frase que não deixa ‘margem para dúvidas. Porque é uma frase que funciona um pouco como a presunção Juris et Jure: não admite contra-prova.
Preclaros e pacientes leitores, apresento-lhes «Para os fins convenientes».
Seja sincero, caro leitor-burocrata: como conseguiria informar o seu chefe que o autocarro esteve entalado num engarrafamento (e por isso chegou tarde) se não fosse «para os fins convenientes»? Como conseguiria justificar, perante a hierarquia a panada que deu com, a viatura de serviço, se não fosse «para os fins convenientes»? É «para os fins convenientes» que se apresenta um detido em tribunal, pede para se baldar ao serviço — ou justifica a balda do dia anterior — solicita uma audiência, requer um atestado. Podem contar-
-se pelos dedos os problemas que ficaram por resolver com a frase mágica. Aliás, estou em crer que o próprio mundo foi criado «para os fins convenientes», já que não vejo outra razão. E repare: se há um problema que você não conseguiu ultrapassar com a maravilhosa frase basta que do facto informe os seus superiores. Mas não se esqueça de dizer que informa «para os fins convenientes». Pronto. Problema resolvido.
Claro que você, ingénuo leitor, a esta hora está convencido de que o seu chefe, ao ver um documento «para os fins convenientes» em cima da mesa, fica atrapalhadinho.
Não, a sério, está? É nisso que pensa?
É por ter esses pensamentos, que você nunca conseguiu sair da cepa torta. Nunca chegou nem chegará a chefe! Porque você devia saber que o seu superior hierárquico nem pestanejaria. Num caso desses o chefe mantém-se imperturbável. Oual jogador de futebol, recebe a bola, prepara-a e chuta para cima com um rotundo, soberbo, infalível e definitivo «l douta consideração superior». E o seu papel vai subindo, subindo, subindo, até que você, já cansado, acaba por desistir. É que a hierarquia, meu caro, tal como o céu, não tem limites.
Mas atenção, muita atenção! É que à sombra do estereótipo queda-se, felino, vil, matreiro, subtil, enigmático, monstruoso, invisível, subversivo, omnipresente, estulto, sagaz, viperino, catastrófico, paradigmático, inconsequente, iconoclasta, ignaro, metamórfico, narcisista, insidioso, pérfido, caviloso, satânico, o «lapsus calami».
«Lapsus calami», o terror de engenheiros, arquitectos, juristas, magistrados, professores, polícias, advogados, políticos, etc.
Mas, afinal, o que é o «lapsus calami»? Apenas o fenómeno que nos leva a escrever uma coisa quando queríamos escrever outra bem diferente.
Acho que é melhor apontar exemplos. .1
Assim, um exemplo de «lapsus calami» é a inflação, quedar-se nos 6,5%. De certeza que não era aquilo que se pretendia dizer.
Outro caso: o célebre quadro representando o suicídio de Sócrates. Ali se vê que o filósofo com uma das mãos segura a taça da cicuta, enquanto que com a outra mão dá o último suspiro, o que é um grandessíssimo «lapsus calami», já que ninguém dá suspiros com as mãos.

Muitas vezes, e como atrás se disse, o «lapsus calami» deriva directamente de frases ou expressões estereotipadas, que se remetem para o papel de uma forma inconsciente. É bem conhecida a historia daquele polícia que, no seu relatório, escreveu que «o detido reagiu, pelo que tive de usar a forca muscular que me está superiormente distribuída».
Veja-se, a título de outro exemplo, um douto despacho de um juiz: «A detenção foi legal, porque em flagrante delito, por isso a valido». Frase estereotipada, pois, com o «lapsus calami» à espreita, preparado para saltar para o texto. Vejamos a continuação do despacho: «Os autos não indiciam fortemente, nem sequer suficientemente, que o arguido tenha cometido qualquer crime, nomeadamente de tráfico de droga».
Então, como é? O arguido foi detido em flagrante delito de quê?
Um outro caso curioso é o daquele Magistrado que promoveu que o arguido aguardasse «em prisão perpétua» os ulteriores termos do processo. Ê claro que o Digm.”, desta forma, veria resolvido o problema dos prazos, já que o C.P.P. é omisso quanto ao regime de prazos no cumprimento da prisão perpétua.
Acho eu

Aliás, creio que é omisso quanto à aplicação da prisão perpétua. 
É por isso que estou em crer que o Magistrado queria dizer «prisão 
preventiva», mas o «lapsus calami» atraiçoou-o.
É.
Deve ter sido isso...

Voltando à rotina propriamente dita e às suas vantagens, é que com o tempo vamos construindo intimamente toda uma estrutura cujos elementos se interligam de tal maneira que não admitem elementos estranhos. Por exemplo, os polícias. Já viram que maravilha é se tiverem de fazer uma participação de um crime e tiverem tido o cuidado de guardar cópias de participações de colegas mais antigos? Certamente que encontrarão um modelo que se adapte ao seu caso concreto. Aliás, polícias há que criaram modelos que tanto servem para cheques sem cobertura como para homicídios, passando, por exemplo, por desvio de aeronaves e disseminação de epi-zootias. Dão para tudo. Ê só mudar umas coisinhas aqui e ali, designadamente os nomes das partes envolvidas, e a participação está feita.
Se, por exemplo, o polícia está perante um caso de homicídio qualificado, mas só tem o modelo que dê para furto qualificado, não há que ficar atrapalhado. A solução é simples: participem o furto qualificado, e alguém se encarregará de o corrigir — se calhar… Não devem é participar o homicídio, de forma alguma. Se assim o fizerem, terão de alterar toda a estrutura do modelo e, o que é mais importante, terão de alterar toda a estrutura mental. VÃO TER DE SAIR DA ROTINA! E depois, qual é o problema? Não tiraram a vida à vítima? Então, pode ser furto!
Tudo menos sair da rotina. Poupem esforço físico e mental. Não esqueçam de que o esforço físico é necessário para o descanso, e precisam da mente para tentar não pensar em nada.

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